Escala de estressores no trabalho prisional – EETP: evidências de validade

Ludmila R. F. Brandão, Virgínia D. Carvalho
DOI: https://doi.org/10.21529/RECADM.2026006

Texto completo:

PDF

Resumo

Embora o estresse laboral venha se mostrando uma realidade vivenciada pelos trabalhadores no sistema prisional, identifica-se a carência de instrumentos brasileiros específicos para a avaliação de estressores no referido contexto. Dessa forma, o presente artigo visa examinar as evidências iniciais de validade de uma escala para avaliação de estressores no trabalho prisional (EETP). Participaram do estudo 202 trabalhadores do sistema prisional, responsáveis pela custódia dos presos no estado de Minas Gerais, os quais constituíram uma amostra não probabilística por acessibilidade, que respondeu à EETP e à Escala de Satisfação no Trabalho (EST). Análise fatorial exploratória foi empregada para avaliar a estrutura interna da EETP e análise de correlação bivariada com os escores nos fatores da EST foi utilizada para testar a validade convergente negativa do instrumento. As análises indicaram uma estrutura de cinco fatores para a EETP, variância total explicada e índices de consistência interna satisfatórios, além de relação inversa moderada entre os fatores da EETP e os da EST. As qualidades psicométricas satisfatórias da escala, que fornecem evidências iniciais de sua validade em termos de estrutura interna e a relação com medidas externas, a tornam um instrumento útil para a pesquisa e intervenção no contexto de trabalho do sistema prisional.


Palavras-chave

escala; estressores; prisões; trabalho prisional; evidências de validade


Compartilhe


Referências


Albuquerque, D. R., & Araújo, M. R M. (2018). Precarização do trabalho e prevalência de transtornos mentais em agentes penitenciários do estado de Sergipe. Revista Psicologia e Saúde, 10(1), 19-30. https://doi.org/10.20435/v10i1.456.

Amaral, D. O., Mora, G. F. D., & Silva, A. M. B. (2020). A vida atrás das grades: uma revisão sistemática da literatura acerca da realidade imposta pelo cárcere. Revista Mundi Sociais e Humanidades, 5(3), 103. https://doi.org/10.21575/25254774rmsh2020vol5n31430.

Benetti, S. A. W., Goi, C. B., Pretto, C. R., Lima, M. P., Benetti, E. R. R., & Andolhe, R. (2022) Tendências das produções científicas brasileiras acerca da saúde do trabalhador no sistema prisional. Research, Society and Development, 11(5): e49211528665. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i5.28665 .

Bezerra, C.M., Assis, S. G., & Constantino, P. (2016) Sofrimento psíquico e estresse no trabalho de agentes penitenciários: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 21(7). https://doi.org/10.1590/1413-81232015217.00502016.

Bezerra, C. M., Assis, S. G., Constantino, P., & Pires, T. O. (2021). Fatores associados ao sofrimento psíquico de agentes penitenciários do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 46(4). https://doi.org/10.1590/2317-6369000038218.

Blanco-Álvarez, T. M., & Thoen, M. A. (2017). Factores asociados al estrés laboral en policías penitenciarios costarricenses. Revista Costarricense de Psicologia, 36, 45-59. https://doi.org /10.22544/rcps.v36i01.03

Brough, P., & Williams, J. (2007). Managing occupational stress in a high-risk industry: measuring the job demands of correctional officers. Criminal Justice and Behavior, 34 (4), 555-567. https://doi.org/10.1177/0093854806294147.

Butler, H. D., Tasca, M., Zhang, Y., & Carpenter, C. (2019). A systematic and meta-analytic review of the literature on correctional officers: identifying new avenues for research. Journal of Criminal Justice, 60, 84-92. https://doi.org/10.1016/j.jcrimjus.2018.12.002.

Campos, R. G., Abreu, A. A., & Silva, S. L. (2022). Estresse ocupacional em policiais penais: estudo em uma unidade prisional de Minas Gerais. Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria, 15, 854-874. https://doi.org/10.5902/1983465969143.

Carvalho, V. D. (2024). Papéis na organização, conflito trabalho-família, satisfação laboral e saúde mental de docentes em relação com o comprometimento organizacional afetivo. Cadernos de Saúde Pública, 40(10). https://doi.org/10.1590/0102-311XPT143723.

Cassiano, M. S., & Ricciardelli, R. (2023). Sources of stress among federal correctional officers in Canada. Criminal Justice and Behavior, 50, 1229-1251. https://doi.org/10.1177/00938548231174900.

Cheeseman, K., Kim, B., Lambert, E., & Hogan, N. (2011). Correctional officerperceptions of inmates and overall job satisfaction. Journal of Crime and Justice, 34,81-102. https://doi.org/10.1080/0735648X.2011.580515.

Coelho, F. A. Jr, & Faiad, C. (2012). Evidências de Validade da Escala de Satisfação no Trabalho. Avaliação Psicológica, 11(1), 111-121. Recuperado em 12 de fevereiro de 2019 de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000100011.

Cooper, C. L., Dewe, P. J., & O’Driscoll, M. P. (2001). Organizational stress: a review and critique of theory, research, and applications. Thousand Oaks, CA: Sage.

Cooper, C. L., & Marshall, J. (1976). Occupational sources of stress: a review of the literature relating to coronary heart disease and mental ill health. Journal of Occupational Psychology, 49, 11-28. https://doi.org /10.1057/9781137310651_1

Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a realidade do Sistema Carcerário Brasileiro (2017). CPI: Sistema Carcerário Brasileiro: relatório final. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, Edições Câmara.

Cullen, F.T., Link, G. B., Wolfe, N.T., & Frank, J. (1985). The social dimensions of correctional officer stress. Justice Quarterly, 2(4), 505-533. https://doi.org/10.1080/07418828500088711.

Dewe, P. J., & Cooper, C. L. (2021) Work and stress: a research overview. London: Routledge.

Ellison, J. M., & Caudill, J. W. (2020). Working on local times: testing the job-demand-control-support model of stress with jail officers. Journal of Criminal Justice, 70:101717. https://doi.org/10.1016/j.jcrimjus.2020.101717.

Emenda constitucional, n. 104, de 4 de dezembro de 2019. Altera o inciso XIV do caput do art. 21, o § 4º do art. 32 e o art. 144 da Constituição Federal, para criar as polícias penais federal, estaduais e distrital. Recuperado em 04 de março de 2022 de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc104.htm#art1.

Fagundes, E. de F., Costa, J. C. da, & Moreira, T. A. S. (2017). Qualidade de Vida no Trabalho: o caso dos agentes penitenciários em um Centro de Detenção Provisória do Rio Grande do Norte. Research, Society and Development, 5(2), 109-123. https://doi.org/10.17648/rsd-v5i2.101

Fernandes, R., Silvany, A., Sena, G., Leal, A., Pouillard, C., & Costa, F. (2002) Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 18, 807-816. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2002000300024.

Ferreira, M. C., Milfont, T., Silva, A. P., Fernandes, H. A., Almeida, S. P., & Mendonça, H. (2015). Escala para avaliação de estressores psicossociais no contexto laboral. psicologia: reflexão e crítica, 28 (2), 340-349. https://doi.org/10.1590/1678-7153.201528214.

Figueiró, R., & Dimenstein, M. (2018). Controle a céu aberto: medo e processos de subjetivação no cotidiano de agentes penitenciários. Psicologia: Ciência e Profissão, 38, 131-143. https://doi.org/10.1590/1982-3703000212193.

Finney, C., Stergiopoulos, E., Hensel, J., Bonato, S., & Dewa, C. (2013). Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health, 13, 1-13. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-82.

Goebel, D., K. & Carlotto, M. S. (2019). Predictores sociodemográficos, laborales y psicosociales del Síndrome de Burnout en docentes de educación a distancia. Avances En Psicología Latinoamericana, 37(2), 295–311. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.6886.

Gomes, S. J. (2023). Trabalho e saúde nos estabelecimentos prisionais baianos: as relações entre estresse e liderança. Revista Brasileira de Segurança Pública., 17(2), 106-123. https://doi.org/10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1550.

Hogan, N., Lambert, E., Jenkins, M., & Hall, D. (2009). The impact of job characteristics on private prison staff: why management should care. American Journal of Criminal Justice, 34, 151–165. https://doi.org/10.1007/s12103-009-9060-8.

Jesus, S. R., Felippe, A. M., & Silva, Y. V. (2021). Vulnerabilidade ao estresse entre agentes de segurança penitenciários. Psicologia: Ciência e Profissão, 41, 1-18. https://doi.org/10.1590/1982-3703003197193.

Kinman, G., Clements A. J., & Hart, J. (2016). Work-related wellbeing in UK prison officers: a benchmarking approach. International Journal of Workplace Health Management, 9, 3, 290–307. https://doi.org/10.1108/IJWHM-09-2015-0054.

Limongi França, A. C; Rodrigues, A. L. (2013). Stress e trabalho: uma abordagem psicossomática. (4. ed.) São Paulo: Atlas.

Lourenço, L. C. (2010). Batendo a tranca: impactos do encarceramento em agentes penitenciários da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, 3, 11-31. Recuperado em 05 de abril de 2018 de https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/7181.

Maekawa, L. S., Côrrea, P. N. S. A., Araújo, S. A., Carvalho, M. T. M., Silva, R. J., & Alves, M. G. (2020). Estresse em agentes penitenciários de um presídio do interior de Minas Gerais. Psicologia e Saúde em Debate, 6 (2), 373-387. https://doi.org/10.22289/2446-922X.V6N2A25.

Mahfood, V. W., Pollock, W., & Longmire, D. (2013). Leave it at the gate: job stress and satisfaction in correctional staff. Criminal Justice Studies, 26(3), 308-325. https://doi.org/10.1080/1478601X.2012.730997.

Marques, G. S., Giongo, C. R., & Ruckert, C. (2018). Saúde mental de agentes penitenciários no Brasil: uma revisão sistemática da literatura. Diálogos, 38, 89-98. https://doi.org/10.18316/dialogo.v0i38.4202.

Miller, O., Bruenig, D., & Shakespeare-Finch. J. (2024). “The job changes you”: a reflexive thematic analysis of Australian correctional officer mental health. Journal of Crime and Justice, 47, 404-420. https://doi.org/10.1080/0735648X.2023.2282970.

Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Políticas Penais. Sistema Nacional de Informações Penais (SISDEPEN): julho a dezembro de 2024 (2025). 17º ciclo. Brasília, DF. Recuperado em 12 de abril de 2025 de: https://www.gov.br/senappen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios/relipen/relipen-2o-semestre-de-2024.pdf.

Nascimento, F. E. M. (2022). De carcereiro a policial penal: entre nomenclaturas, imagem social e atribuições. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, 15, 883-910. https://doi.org/10.4322/dilemas.v15n3.46146.

Noda, A. F., Schepp, C. da R., Duarte, D. dos S., Silveira, L. C. da, Saraiva, M. M., & Lopes, M. J. (2023). Transtornos mentais e a atividade do policial penal. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 9(3), 1163–1174. https://doi.org/10.51891/rease.v9i3.8925.

Oliveira, V. N., Ribeiro, L., & Bastos, L. (2015). Os agentes penitenciários em Minas Gerais: quem são e como percebem sua atividade. Revista Sistema Penal & Violência, 7, 175-192. DOI: https://doi.org/10.15448/2177-6784.2015.2.21891

Resolução nº 9, de 13 de novembro de 2009 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Departamento Penitenciário Nacional. Dispõe sobre a exigência mínima de presos por agentes em estabelecimentos penais destinados a presos provisórios e em regime fechado. Recuperado em 30 de julho de 2021 de: https://www.gov.br/depen/pt-br/composicao/cnpcp/resolucoes/2009/resolucao-no-9-de-13-de-novembro-de-2009.pdf/view.

Rhineberger-Dunn, G., & Mack, K. Y. (2020). The impact of individual factors, job characteristics, and organizational variables on job stress and job satisfaction among community corrections staff. Criminal Justice Review, 45(4), 464–483. https://doi.org/10.1177/0734016820927077.

Ricciardelli, R., Johnston, M. S., & Mario, B. (2024). The moral impacts of organizational stress on correctional officers. Criminal Justice Review, 1-20. https://doi.org/10.1177/07340168241256348.

Rudnicki, D., Schäfer, G., & Silva, J. (2017). As máculas da prisão: estigma e discriminação das agentes penitenciárias. Revista Direito GV, 13, 608-627. https://doi.org/10.1590/2317-6172201724.

Rumin, C. R. (2006). Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicologia, Ciência e Profissão, 26, 570-581. Recuperado em 30 de julho de 2021 de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932006000400005.

Senol-Durak, E. Durak, M., & Gençöz, T. (2006). Development of work stress scale for correctional officers. Journal of Occupational Rehabilitation, 16(1), 157-168. https://doi.org/10.1007/s10926-005-9006-z.

Schabbach, L. M. (2020). A militarização dos presídios brasileiros. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, 32(1), 227-245. DOI: https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2020.156940.

Schwartz, J. A., Granger, D. A., Calvi, J. L., Jodis, C. A., & Steiner, B. (2023). The implications of stress among correctional officers: a summary of the risks and promising intervention strategies. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology,1-22. https://doi.org/10.1177/0306624X231213316.

Siqueira, M. M. M. (2008). Medidas do comportamento organizacional: ferramentas de diagnóstico e de gestão. Porto Alegre: Artmed.

Tschiedel, R. M. (2012) O trabalho prisional e suas implicações na saúde mental dos agentes de segurança penitenciária (Dissertação de mestrado). Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, Brasil.

Walters, G. D. (2022). Getting to the source: how inmates and other staff contribute to correctional officer stress. Journal of Crime and Justice, 45, 73-86. https://doi.org/10.1080/0735648X.2020.1862696.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.