Repensando o empreendedorismo: uma análise baseada no filme O Auto da Compadecida
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Este estudo propõe uma releitura crítica do empreendedorismo brasileiro a partir de uma análise metafórica do filme ‘O Auto da Compadecida’, articulando cinema, cultura popular e estudos organizacionais. Ancorada em uma abordagem qualitativa de inspiração decolonial, a pesquisa utiliza a análise fílmica como método, com apoio do software Atlas.ti 8.3 para a codificação e interpretação dos dados. Os resultados indicam que o filme retrata um perfil cultural de empreendedorismo marcado pela improvisação, pelo trambique, pela troca de favores e pelo uso estratégico de relações pessoais como mecanismos de sobrevivência em contextos de escassez material, informalidade e assimetria de poder. Diferentemente do modelo euro-estadunidense, orientado à inovação, ao planejamento e à assunção calculada de riscos, o empreendedor brasileiro emerge como um agente reativo e adaptativo, profundamente condicionado por estruturas sociais excludentes. Ao deslocar o empreendedorismo do campo da moralidade individual para o das condições históricas e materiais de existência, o artigo questiona as narrativas hegemônicas do pop-management e do self-made man. A originalidade do estudo reside na construção de um arquétipo alternativo de empreendedorismo, culturalmente situado, que reconhece práticas informais e ambíguas como respostas contextuais legítimas à realidade brasileira, contribuindo para a ampliação crítica do campo.
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e-ISSN: 1677-7387