Ética, Valores Pessoais e a Compra de Falsificados

Matheus Lemos de Andrade, Ramon Silva Leite, Simone Teresinha Chaves de Andrada Ibrahim
DOI: https://doi.org/10.21529/RECADM.2020005

Texto completo:

PDF

Resumo

Tido como um comportamento desviante devido aos seus efeitos econômicos e sociais, a compra de falsificados é um comportamento enraizado e socialmente aceito entre diversos segmentos da sociedade brasileira. O presente estudo se fundamentou nas teorias sobre valores pessoais e ética para compreender e explicar a propensão à compra de produtos falsificados. Para tal, foi realizada uma pesquisa com 479 consumidores mineiros. A análise dos dados envolveu estatísticas descritivas, testes de comparação de média e Modelagem de Equações Estruturais (PLS). Os resultados revelam maior propensão à compra de falsificados entre consumidores com menor escolaridade, renda familiar e faixa etária. Verificou-se a influência positiva da racionalidade teleológica nas atitudes em relação aos falsificados, assim como uma relação negativa entre tais atitudes e a racionalidade deontológica. Sobre os valores pessoais, tem-se que enquanto os tipos motivacionais Estimulação e Hedonismo favorecem tais atitudes, a Autodeterminação e a Realização as inibem.


Palavras-chave

ética; valores pessoais; compra de falsificados; ética no consumo


Referências


Ajzen, I. (1985). From intentions to action: A theory of planned behavior. In J. Kuhl & J. Beckman (Eds.), Action control: From cognitions to behaviors (pp. 11–39). New York: Springer.

Ajzen, I. (2005). Attitudes, personality, and behavior. 2a ed., New York: Open University Press.

Añaña, E. S., & Nique, W. M. (2009). O valor dos valores: avaliação de uma marca global por meio dos diversos brasis culturais. Revista de Administração Mackenzie (Mackenzie Management Review), 10(3), 153-181.

Andrade, M. L., & Leite, R. S. (2017, outubro). Teoria Dos Valores Pessoais Em Marketing: Um Estudo Bibliométrico Sobre As Publicações Nacionais. Anais do Encontro Nacional da Associação do Programas de Pós-Graduação em Administração (EnAnpad 2017), São Paulo, SP, Brasil, XLI.

Andrade, M. L., Leite, R. S., Diniz, W. V., Costa, K. C., & Ibrahim, S. T. C. A. (2017, novembro) Processos Axiológicos: Proposta de (Re)Integração das Teorias sobre Ética e Valores Pessoais. Anais do XX SEMEAD Seminários Em Administração, São Paulo, SP, Brasil, 20.

Andrade, M. L., Leite, R. S., & Salvador, S. (2018) Falsificado sim, mas de coração!: Uma investigação interpretativa sobre o ato de presentear com produtos falsificados. In M. R. Pinto & G. L. Batinga (Orgs.). Cultura e Consumo no Brasil: estado atual e novas perspectivas. Editora PUC-MG: Belo Horizonte.

Araújo, B. F. V. B., Bilsky, W., & Oliveira Moreira, L. M. C. (2012). Valores pessoais como antecedentes da adaptação transcultural de expatriados. Revista de Administração Mackenzie, 13(3), 69-95.

Baker, J. A. (2008) Virtue Ethics. In R. W. Kolb (Ed.). Encyclopedia of Business Ethics and Society (pp. 2191–2198). Thousand Oaks: SAGE Publications.

Bilsky, W. (2009). A estrutura de valores: sua estabilidade para além de instrumentos, teorias, idade e culturas. Revista de Administração Mackenzie, 10(3), 12-33.

Bloch, P. H., Bush, R. F., & Campbell, L. (1993). Consumer “accomplices” in product counterfeiting: a demand side investigation. Journal of consumer marketing, 10(4), 27-36.

Burns, J. O., & Kiecker, P. (1995). Tax practitioner ethics: An empirical investigation of organizational consequences. The Journal of the American Taxation Association, 17(2), 20.

Bussab, W. O., & Morettin, P. A. (2004) Estatística básica. 5. ed. São Paulo: Saraiva.

Calvosa, M. V. D. (2012, novembro). Uma pesquisa bibliométrica sobre valores pessoais: a análise global de instrumentos de mensuração de valores pessoais. Anais do XXVII Simpósio De Gestão De Inovação Tecnológica da Associação do Programas de Pós-Graduação em Administração (2012), Salvador, BA, Brasil, XXVII.

Casali, R. R. B., Paes, T. A. A., Machado, P. A., Medeiros, L. C., & Aragão, A. J. (2010). Pirataria de Software: Uma Análise da Relação entre Comportamento Ético, Atitude e Intenção do Consumidor. Anais do XXIV Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro, RJ, 24.

Chaudhry, P. E., & Zimmerman, A. (2009). The economics of counterfeit trade: Governments, consumers, pirates and intellectual property rights. Heidelberg: Springer.

Cheung, W. L., & Prendergast, G. (2006). Buyers' perceptions of pirated products in China. Marketing Intelligence & Planning, 24(5), 446-462.

Clavo, L. C. (2008). Aristóteles para Executivos: como a filosofia ajuda na gestão empresarial. São Paulo: Globo.

Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences. 2nd ed. New York: Psychology Press.

Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNPC). Brasil Original. Brasília (2011). Recuperado em 25 março, 2018 , de http://portal.mj.gov.br/main.asp?Team=%7B1450A8F5-90F9-4EE7-B58C-36EA406FD360%7D.

Cordell, V. V., Wongtada, N., & Kieschnick, R. L. (1996). Counterfeit purchase intentions: role of lawfulness attitudes and product traits as determinants. Journal of Business Research, 35(1), 41-53.

Cotrin, G. (2002). Fundamentos de Filosofia: história e grandes temas. 15ª ed. São Paulo, Saraiva.

Eisend, M., & Schuchert-Güler, P. (2006). Explaining counterfeit purchases: A review and preview. Academy of Marketing Science Review, 12, 1-26.

Eisend, M., Hartmann, P., & Apaolaza, V. (2017). Who buys counterfeit luxury brands? A meta-analytic synthesis of consumers in developing and developed markets. Journal of International Marketing, 25(4), 89-111.

Furnham, A., & Valgeirsson, H. (2007). The effect of life values and materialism on buying counterfeit products. The Journal of Socio-Economics, 36(5), 677-685.

Gentry, J., Putrevu, S., Shutz I., & Clifford, C., S. (2001) How now Ralf Lauren? The separation of brand and product in a counterfeit culture. Advances in Consumer Research, 28(1), 258-265. Recuperado em 04 setembro, 2014, de http://www.acrwebsite.org/search/view-conference-proceedings.aspx?Id=8485

Grossman, G. M., & Shapiro, C. (1988). Foreign counterfeiting of status goods. The Quarterly Journal of Economics, 103(1), 79-100.

Gupta, P. B., Gould, S. J., & Pola, B. (2004). “To pirate or not to pirate”: A comparative study of the ethical versus other influences on the consumer’s software acquisition-mode decision. Journal of Business Ethics, 55(3), 255-274.

Grohmann, M. Z., Rosa, A. C., Nunes, J. D. O., & Piveta, M. N. (2014). Comportamento dos jovens em relação à pirataria digital: Uma pesquisa com estudantes do ensino médio público. Estudos do ISCA, (9).

Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2009). Análise multivariada de dados. Porto Alegre: Editora Bookman.

Hair J. F. Jr., Hult, G. T. M., Ringle, C. & Sarstedt, M. (2014). A primer on partial least squares structural equation modeling (PLS-SEM). Los Angeles: Sage Publications.

Henseler, J., Ringle, C. M., & Sinkovics, R. R. (2009). The use of partial least squares path modeling in international marketing. Advances in International Marketing 20, 277-319.

Huang, J. H., Lee, B. C., & Hsun Ho, S. (2004). Consumer attitude toward gray market goods. International Marketing Review, 21(6), 598-614.

Hunt, S. D., & Vitell, S. (1986). A general theory of marketing ethics. Journal of Macromarketing, 6(1), 5-16.

Hunt, S. D., & Vitell, S. J. (1993). The General Theory of Marketing Ethics: A Retrospective and Revision. Ethics in Marketing 775-784.

Hunt, S. D., & Vitell, S. J. (2006). The general theory of marketing ethics: A revision and three questions. Journal of Macromarketing, 26(2), 143-153.

Kamakura, W. A., & Mazzon, J. A. (1991). Value segmentation: A model for the measurement of values and value systems. Journal of Consumer Research, 18(2), 208-218

Kluckhohn, C. (1951). Values and value-orientations in the theory of action: An exploration in definition and classification. In T. Parsons & E. Shils (Eds.), Toward a general theory of action (pp. 388-433). Cambridge. MA: Harvard University Press.

Lau, K. W. (2007). Interaction effects in software piracy. Business Ethics: A European Review, 16(1), 34-47.

Lee, S.H., & Yoo, B. (2009). A review of determinants of counterfeiting and piracy and the proposition for future research. Korean Journal of Policy Studies, 24(1), 1–38.

Malhotra, N. K. (2012). Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. Porto Alegre: Bookman.

Malhotra, N. K., & Birks, D. F. (2007). Marketing Research: An Apllied approach. 3ª ed. Harlow: Prentice Hall.

Matos, C., & Ituassu, C. (2005) Comportamento do consumidor de produtos piratas: os fatores influenciadores das atitudes e das intenções de compra. Anais do Encontro Nacional da Associação do Programas de Pós-Graduação em Administração (EnAnpad 2005), Brasília, DF, Brasil, XXIX.

Morin, E. (2007) O Método: Ética. Tradução: Juremir Machado Da Silva. 3ºed. Porto Alegre: Sulina.

Munson, J. M., & McQuarrie, E. F. (1988). Shortening the Rokeach value survey for use in consumer research. NA-Advances in Consumer Research, 5(1), 381-386.

Musser, S. J., & Orke, E. A. (1992). Ethical value systems: A typology. The journal of applied behavioral science, 28(3), 348-362.

Nia, A., & Zaichkowsky, J. L. (2000). Do counterfeits devalue the ownership of luxury brands?. Journal of Product & Brand Management, 9(7), 485-497.

Nill, A., & Shultz, C. J. (1996). The scourge of global counterfeiting. Business Horizons, 39(6), 37-42.

Nill, A., & Shultz, C. J. (2009). Global software piracy: Trends and strategic considerations. Business Horizons, 52(3), 289-298.

OECD/EUIPO. (2016). Trade in Counterfeit and Pirated Goods: Mapping the Economic Impact, OECD Publishing, Paris.

Passos, E. (2006). Ética nas organizações. São Paulo: Atlas.

Patrus-Pena, R., & Castro, P. (2010). Ética nos Negócios. Condições, Desafios e Riscos. São Paulo: Editora Atlas.

Penz, E., & Stottinger, B. (2005). Forget the ‘real’ thing – Take the copy! An explanatory model for the volitional purchase of counterfeit products. Advances in Consumer Research, 32(1), 568-76.

Pires, M. B. (2008). Estudo dos valores de consumidores de produtos piratas e de consumidores de produtos originais. Trabalho de Conclusão de Curso. (Especialização em Administração) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

Podsakoff, P. M., MacKenzie, S. B., Lee, J. Y., & Podsakoff, N. P. (2003). Common method biases in behavioral research: A critical review of the literature and recommended remedies. Journal of applied psychology, 88(5), 879.

Prendergast, G., Hing Chuen, L., & Phau, I. (2002). Understanding consumer demand for non-deceptive pirated brands. Marketing Intelligence & Planning, 20(7), 405-416.

Queiroz, A. S., & Souza, M. J. B. (2016). Consumo de Luxo falsificado no Segmento Jovem. Anais do XL ENANPAD, Costa do Sauipe, BA, Brasil, XL.

Rabello, R. F., Leite, R. S., & Gonçalves Filho, C. (2016) Consumo de Falsificados: Analisando a Influência da Ética e dos Riscos. Anais do XL ENANPAD, Costa do Sauipe, BA, Brasil, XL.

Reis Junior, F. N. D. (2018) Luz, câmera, falsificação: proposta de um modelo explicativo para consumo de produtos de luxo falsificado. Tese Doutorado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Reis Junior, F. N. D., & Torres, C. (2018). As aparências se atraem: valores culturais e consumo de produtos de moda falsificados. Revista Thema, 15(1), 119-132.

Ribeiro, P. D. (2015) Vergonha e Comportamento de Consumo de Produtos Falsificados. Dissertação de Mestrado (Administração de Empresas). FGV, São Paulo, SP, Brasil.

Ringle, C. M., Silva, D., & Bido, D. D. S. (2014). Modelagem de equações estruturais com utilização do SmartPLS. REMark, 13(2), 54.

Ringle, C. M., Wende, S., & Becker, J.M. (2015). "SmartPLS 3." Boenningstedt: SmartPLS GmbH. Recuperado em 22 outubro, 2017, de http://www.smartpls.com.

Rohan, M. J. (2000). A rose by any name? The values construct. Personality and Social Psychology review, 4(3), 255-277.

Rokeach, M. (1973) The Nature of Human Values. New York: Free press.

Santos, M. F., Gonçalves Filho, C., & Falce, J. L. (2017). Entendendo a Compra de Produtos Piratas: a Influência das Estratégias de Negação e Ética do Consumidor. Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia, 10(2), 239-265.

Schwartz, S. H. (1992) Universals in the content and structure of values: Theoretical advances and empirical tests in 20 countries. Advances in Experimental Social Psychology, 25(1), 1-65.

Schwartz, S. H. (1994). Are there universal aspects in the structure and contents of human values?. Journal of social issues, 50(4), 19-45.

Schwartz, S. H., Melech, G., Lehmann, A., Burgess, S., Harris, M., & Owens, V. (2001). Extending the cross-cultural validity of the theory of basic human values with a different method of measurement. Journal of cross-cultural psychology, 32(5), 519-542.

Schwartz, S. H., Cieciuch, J., Vecchione, M., Davidov, E., Fischer, R., Beierlein, C., ... & Dirilen-Gumus, O. (2012). Refining the theory of basic individual values. Journal of Personality and Social Psychology, 103(4), 663.

Sambiase, M. F., Teixeira, M. L. M., Bilsky, W., Araujo, B. F. V. B., & Domenico, S. M. R. (2014). Confrontando estruturas de valores: um estudo comparativo entre PVQ-40 e PVQ-21. Psychology, 27(4), 728-739.

Simon, H. A. (1972). Theories of bounded rationality. Decision and Organization, 1(1), 161-176.

Solomon, S. L., & O'Brien, J. A. (1990). The effect of demographic factors on attitudes toward software piracy. Journal of Computer Information Systems, 30(3), 40-46.

Staake, T., Thiesse, F., & Fleisch, E. (2009). The emergence of counterfeit trade: a literature review. European Journal of Marketing, 43(3/4), 320-349.

Staake, T., Thiesse, F., & Fleisch, E. (2012). Business strategies in the counterfeit market. Journal of Business Research, 65(5), 658-665.

Strehlau, S. (2004) O luxo falsificado e suas formas de consumo. Tese (Doutorado em Administração). Fundação Getúlio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo. 307 f.

Swami, V., Chamorro-Premuzic, T., & Furnham, A. (2009). Faking it: Personality and individual difference predictors of willingness to buy counterfeit goods. The Journal of Socio-Economics, 38(5), 820-825.

Tamayo, A. (2007). Hierarquia de valores transculturais e brasileiros. Psicologia: teoria e pesquisa, 23 (Special), 7-15.

Tamayo, A., & Porto, J. B. (2009). Validação do questionário de perfis de valores (QPV) no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25(3), 369-376.

Tang, F., Tian, V. I., & Zaichkowsky, J. (2014). Understanding counterfeit consumption. Asia Pacific Journal of Marketing and Logistics, 26(1), 4-20.

Tenenhaus, M., Vinzi, V. E., Chatelin, Y. M., & Lauro, C. (2005). PLS path modeling. Computational statistics & data analysis, 48(1), 159-205.

Torres, C. V., Schwartz, S. H., & Nascimento, T. G. (2016). A Teoria de Valores Refinada: associações com comportamento e evidências de validade discriminante e preditiva. Psicologia USP, 27(2), 341-356.

Triandis, H. C., & Gelfand, M. J. (1998). Converging measurement of horizontal and vertical individualism and collectivism. Journal of personality and social psychology, 74(1), 118.

Van Kempen, L. (2003). Fooling the eye of the beholder: deceptive status signalling among the poor in developing countries. Journal of International Development, 15(2), 157-177.

Vazquez, A. S. (2007) Ética. 29ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Vida, I., Kos Koklic, M., Kukar-Kinney, M., & Penz, E. (2012). Predicting consumer digital piracy behavior: The role of rationalization and perceived consequences. Journal of Research in Interactive Marketing, 6(4), 298-313.

Vinson, D. E., Scott, J. E., & Lamont, L. M. (1977). The role of personal values in marketing and consumer behavior. The Journal of Marketing, 41(2), 44-50.

Vitell, S. J., & Muncy, J. (1992). Consumer ethics: An empirical investigation of factors influencing ethical judgments of the final consumer. Journal of Business Ethics, 11(8), 585-597.

Vitell, S. J., & Muncy, J. (2005). The Muncy–Vitell consumer ethics scale: A modification and application. Journal of Business Ethics, 62(3), 267-275.

Wagner, S. C., & Sanders, G. L. (2001). Considerations in ethical decision-making and software piracy. Journal of Business Ethics, 29(1), 161-167.

Wetzels, M., Odekerken-Schröder, G., & Van Oppen, C. (2009). Using PLS path modeling for assessing hierarchical construct models: Guidelines and empirical illustration. MIS quarterly, 33(1), 177-195.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.